
No dia em que meu pai faleceu, eu terminei de reler, pela milésima vez, O Pequeno Príncipe (aquela história infantil que quase todo mundo conhece, e que quem não conhece deveria conhecer) e chorei pela partida do Pequeno Príncipe, sem saber que horas depois, estaria chorando pela partida do meu Grande Príncipe, meu pai.
Foi ao encontrar meu pai, cercado de flores amarelas, como eram os cabelos do personagem de Saint Exupéry, que comecei a perceber as semelhanças entre o personagem fictício, e o meu.
Assim como o Pequeno Príncipe, que sai de seu planeta para explorar o universo, meu Grande Príncipe saiu da sua cidadezinha pra explorar o mundo, e com toda a curiosidade de uma criança, viajou pra longe, cativou pessoas.
Naquela noite, que parecia não ter fim, eu fui como o Piloto, e compreendi que: “ o que eu vejo não é mais que uma casca. O mais importante é invisível aos olhos [...] Então compreendi que não podia suportar a idéia de nunca mais escutar aquele riso. Ele era para mim como uma fonte no deserto.”
Meu Grande Príncipe havia voltado para sua estrela, e como o Piloto, todos nós havíamos ficado sozinhos no deserto, me lembrei então das frases de despedida do Pequeno Príncipe, e fiz delas o meu consolo: “Tu olharás, de noite, as estrelas. Onde eu moro é muito pequeno, para que eu possa te mostrar onde se encontra a minha. É melhor assim. Minha estrela será então qualquer das estrelas. Gostarás de olhar todas elas... Serão todas, tuas amigas. E depois, eu vou fazer-te um presente... quando olhares o céu de noite, porque habitarei uma delas, porque numa delas estarei rindo, então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Tu sofrerás. Tu compreendes. É longe demais. Eu não posso carregar esse corpo. É muito pesado.”
Sei que ele voltou a o seu planeta; e gosto, à noite, de escutar as estrelas. Quinhentos milhões de guizos...
Pai, te amo, já sinto saudade do teu riso.
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